Ônibus é o mais utilizado, mas não tem espaço nas ruas de Goiânia

Mauricio Cardoso
Mauricio Cardoso 10 meses atrás - 3 minutos de leitura

Ônibus é o mais utilizado, mas não tem espaço nas ruas de Goiânia
Ônibus é o mais utilizado, mas não tem espaço nas ruas de Goiânia

O transporte coletivo, liderado pelo ônibus, é a espinha dorsal da mobilidade para a maioria da população de Goiânia. Diariamente, centenas de milhares de pessoas dependem dele para trabalhar, estudar e se locomover pela cidade. No entanto, uma contradição fica evidente nas ruas: o meio de transporte que carrega mais gente é o que, proporcionalmente, menos tem espaço para circular.

Essa disputa por espaço com o transporte individual, principalmente carros e motos, gera um ciclo de lentidão, atrasos e perda de qualidade no serviço, afetando diretamente a vida de quem mais precisa.

O paradoxo do espaço urbano

Para entender o problema, basta observar uma avenida movimentada em horário de pico. Um único ônibus pode transportar de 60 a 80 passageiros, o equivalente a cerca de 50 carros com um ocupante cada. Enquanto esses 50 carros ocupam uma vasta área da via, o ônibus ocupa o espaço de apenas dois ou três veículos.

Apesar de sua eficiência em transportar massa, o ônibus fica preso no mesmo congestionamento que os carros particulares. Em Goiânia, fora do Eixo Anhanguera e de algumas faixas exclusivas, os ônibus disputam cada metro de asfalto, o que compromete a velocidade operacional e a pontualidade.

As consequências da falta de prioridade para o transporte coletivo

Quando o ônibus não tem prioridade no trânsito, as consequências são sentidas em cadeia:

  • Aumento do tempo de viagem: A lentidão faz com que os trajetos durem mais, impactando a rotina e o bem-estar dos passageiros.
  • Perda de confiabilidade: A dificuldade em prever o tempo de chegada do ônibus desestimula o uso do transporte público.
  • Superlotação: Atrasos em uma viagem acumulam passageiros para a próxima, resultando em veículos superlotados e desconfortáveis.
  • Estímulo ao transporte individual: Diante de um serviço lento e imprevisível, quem pode acaba optando por comprar uma moto ou um carro, o que, ironicamente, piora ainda mais o congestionamento para todos, inclusive para os ônibus.

Quais são as soluções? Faixas exclusivas e corredores preferenciais

A solução para dar fluidez ao transporte coletivo não é um mistério e já foi implementada com sucesso em várias cidades do mundo: dar prioridade ao ônibus. Em Goiânia, algumas iniciativas já apontam o caminho.

  • Corredores exclusivos (BRT): O Eixo Anhanguera é o maior exemplo. Com uma via totalmente segregada, os ônibus não competem com outros veículos, garantindo velocidade e regularidade. A expansão desse modelo, como o planejado BRT Norte-Sul, é fundamental.
  • Faixas exclusivas: Implementadas em avenidas importantes como a T-63, T-7 e a Avenida 85, essas faixas são dedicadas aos ônibus em horários de pico. Embora não sejam totalmente segregadas, elas já garantem uma melhora significativa na velocidade média.
  • Prioridade semafórica: A tecnologia também pode ajudar, com semáforos inteligentes que dão preferência ao transporte coletivo nos cruzamentos.

Investir em transporte público é investir na cidade

Dar mais espaço para o ônibus não é apenas beneficiar seus usuários, mas sim melhorar a cidade como um todo. Um sistema de transporte público rápido, eficiente e confiável reduz o número de carros nas ruas, diminui os congestionamentos, melhora a qualidade do ar e torna a cidade mais democrática e acessível.

O desafio de Goiânia é claro: reequilibrar a balança do espaço urbano, reconhecendo que o meio de transporte que leva a maioria das pessoas merece e precisa ter a prioridade para circular.

Mauricio Cardoso
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