Goiânia, uma cidade que já ostentou o título de capital mais arborizada e que se consolidou como metrópole, hoje enfrenta desafios significativos para resgatar sua urbanidade e garantir uma melhor convivência entre seus habitantes.
O termo “urbanidade” vai além da simples infraestrutura; ele engloba a qualidade de vida, o respeito ao espaço público, a eficiência dos serviços e, crucialmente, a interação harmoniosa entre as pessoas.
A capital goiana, com seus mais de 1,5 milhão de veículos em circulação e um crescimento desordenado, lida com gargalos que afetam o dia a dia e a experiência do cidadão. Para reverter o cenário e pavimentar o caminho para uma cidade mais humana, é fundamental concentrar esforços em eixos estratégicos:
O que este artigo aborda:
- 1. Mobilidade Urbana para as Pessoas
- 2. Revitalização e Humanização dos Espaços Centrais
- 3. Zeladoria e Infraestrutura Sustentável
- Conclusão
1. Mobilidade Urbana para as Pessoas
Um dos maiores desafios da convivência em Goiânia está no trânsito caótico, reflexo de uma cidade projetada e expandida prioritariamente para o automóvel. A frota crescente pressiona a economia e a qualidade de vida. O que precisa ser feito é:
- Fortalecer o Transporte Coletivo: Garantir um transporte público de qualidade, com integração eficiente, pontualidade e frota moderna, a fim de torná-lo uma alternativa real e atrativa ao carro particular. Investimentos na reforma de terminais e na qualificação do serviço são cruciais.
- Priorizar Modos Ativos: Ampliar e conectar as ciclovias e calçadas. Projetos como o “Caminho dos Bougainvilles”, que valorizam o turismo e o deslocamento sustentável por meio de rotas temáticas, precisam ser expandidos e integrados à malha urbana cotidiana.
- Implementar o Plano de Mobilidade: O município já possui um Plano de Mobilidade Urbana, mas a falta de implementação efetiva de suas estratégias e metas, incluindo a integração metropolitana, continua penalizando o cidadão. É urgente que as ideias saiam do papel.
2. Revitalização e Humanização dos Espaços Centrais
O Centro de Goiânia, considerado o “coração” e local de diversidade da cidade, tem sofrido com o abandono e a perda de população residente, tornando-se um bairro majoritariamente comercial e deserto à noite. Melhorar a convivência passa por:
- Estímulo à Moradia: Adotar políticas permanentes de habitação e parcerias com a iniciativa privada para estimular o retorno da população ao Centro, seguindo o conceito de que “não existe centro sem gente”.
- Fomento ao Comércio e Cultura: Implementar projetos permanentes que estimulem o uso do espaço público para cultura e lazer, como o fechamento de vias históricas aos finais de semana, atraindo as pessoas e, consequentemente, melhorando a segurança.
- Recuperação do Patrimônio: Investir na recuperação das fachadas históricas Art Déco e na zeladoria, combinada com segurança pública eficiente e políticas que busquem um diálogo construtivo com o comércio (evitando a “indústria de multas” que desestimula clientes).
3. Zeladoria e Infraestrutura Sustentável
A qualidade da convivência é diretamente afetada pela infraestrutura básica da cidade. Problemas crônicos como buracos nas ruas, coleta de lixo irregular e alagamentos são obstáculos à urbanidade:
- Drenagem Urbana: A questão dos alagamentos, com dezenas de pontos críticos, exige a implementação urgente do Plano Diretor de Drenagem Urbana. Soluções de longo prazo e sustentáveis, como o aumento da arborização para estimular a infiltração de água no solo, são mais eficazes do que apenas medidas paliativas.
- Melhoria na Gestão de Resíduos: Solucionar a crise da coleta de lixo e investir na reestruturação da companhia de limpeza urbana para garantir a regularidade do serviço, que é vital para a saúde pública e a estética da cidade.
- Padronização de Serviços: Criar normativas conjuntas com concessionárias de serviços públicos (energia, saneamento) para padronizar e fiscalizar os reparos de vias após intervenções, evitando o constante problema de buracos e remendos de má qualidade.
Conclusão
Melhorar a convivência em Goiânia exige uma mudança de paradigma: deixar de ser a cidade do carro para se tornar a cidade das pessoas.
É necessário um planejamento urbano que valorize a escala humana, priorize o transporte coletivo e ativo, resgate a vida nos espaços centrais e garanta a infraestrutura básica com sustentabilidade.
A urbanidade é construída no diálogo e no compromisso social, garantindo que as políticas públicas sejam sensíveis às necessidades de quem vive, trabalha e interage em Goiânia, para que a capital possa, de fato, reencontrar sua “alma” de metrópole-jardim.